segunda-feira, 2 de março de 2009


Há sempre alturas na nossa vida em que o mundo parece desabar.
Nessas alturas respiramos fundo e buscamos cá dentro aquela força que sabemos existir para nos fazer viver sempre mais um dia.
O problema é quando essas alturas se prolongam em dias, em meses e o ar teima em não entrar.E cada vez mais o mundo pesa, os olhos deixam de ver e a cabeça de pensar.
Cada dia mais trabalho, mais problemas, mais peso…
Nessas alturas só queremos que nos deixem respirar um pouco, que nos deixem parar um pouco, que nos deixem dormir um pouco… ou tudo de uma vez.

Obrigado...


Na insónia ela procura reencontrar-se,
O corpo dói-lhe do desgaste sofrido
E a cabeça, ainda confusa,
Só a deixa saber que ganhou a batalha.
As feridas ocultas
Deixarão orgulhosas cicatrizes
Mas ela permanece em pé.
E que prazer é estar de pé…
A dor e o cansaço
provocam uma agradável sensação de vitória
E no calor do reencontro ela dorme.

Obrigado...

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Amar...


Eu não tenho filosofia: tenho sentidos...
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso,
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe por que ama, nem o que é amar...

Amar é a eterna inocência,
E a única inocência é não pensar...


Alberto Caeiro
in O Guardador de Rebanhos

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Sou...


Não sei, ao certo, o que sou…
Mas sou, certamente, o que sei
Que sei então?
E afinal… quem sou?
Sou, então, afinal
Aquilo que sei,
Que sabemos.
Sou o saber que voa além montanhas
E a dor que mora nos ribeiros
Sou o que sinto
E sinto o que choro
Sou, portanto
As lágrimas
Que te caiem pelo rosto.
Não chores,
Não por mim…
Que sei que sou
O choro que corre em ti.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Lágrimas...


Ouço ao longe
as tuas lágrimas
como se de chuva
se tratassem
A loucura dos
meus sentimentos
deixa correr
na minha mente
a ilusão de que
choras por mim
E tu, que nem
sequer choras.
Peço-te então
que chores
mas não por mim.
Chora sim, pela
pedra que guardas
no peito
e pela mágoa
que se afunda
nos teus olhos.
Deixa então que a
chuva te corra
pelo rosto
pois as lágrimas
não passam
de ilusão.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

O Desafio das Descobertas...


O pensamento, louco
esvoaçava pelas estradas
da memória
Como havia voltado aquele
sentimento
há tanto esquecido e consumado.
Tudo tão bem percebido,
tão racionalizado
tornava-se agora
num rodopio de sentimentos
e sensações,
num tornado incontrolável.
A visão turva
e coração acelerado
que força divina
arrebatava tudo o que dentro dela existia
O desafio da descoberta,
da procura das origens
deste sentimento
tornavam-no ainda mais
rebelde e ambicioso
A doçura transformava-se na fúria de uma tempestade
e as entranhas dela estremeciam
não pelo medo,
mas pelo prazer de se tornar de novo
alvo das brincadeiras do destino.

Equilíbrio...

Ninguém é equilibrado... e eu muito menos...
Mas também não o quero ser
Porque se eu me equilibrasse n teria capacidade de mudar...
Porque uma coisa equilibrada é estável
Quase imutável
E eu n sou nem quero ser assim
Sou e quero continuar a ser uma continua descoberta para mim e para os outros
É isso que me faz viver não vês?
É isso que me dá este brilho
Este brilho que às vezes se esbate mas volta quando menos o espero
Porque é meu... porque sou eu