sábado, 13 de junho de 2009

Sou Feliz...

(É assim, a meio caminho entre a prosa e a poesia que me encontro, que me explico, que me escondo.)


Alguém que se preocupa muito comigo disse-me que o meu blog o perturbava.
Tenho a noção que as palavras que aqui escrevo são, muitas vezes, duras demais e reflexo de uma amargura que, sendo verdadeira, não me define por completo.
O facto é que sou um ser reflexivo, em constante mudança e que se apercebe dessas mudanças. Sou uma eterna incompreendida por mim mesma. Conheço-me muito bem mas descubro a toda a hora traços de mim que não havia reparado ou que adoptam uma profundidade ou dimensão diferente e isso perturba-me, intriga-me, fascina-me.
O que quero dizer é que apesar de ser um animal das sombras não sou um ser sombrio, a minha vida não é tão dura como posso fazer parecer, por vezes.
Tal como toda a gente, tenho momentos, só que sempre me interessei mais pelos momentos negativos (até porque sobre as coisas boas tento não pensar, desfruto).
No fundo, acho que só queria desfazer algum dramatismo que tenha vindo a deixar neste blog e dizer que SOU FELIZ.
Bem, sou-o na maior parte do tempo apesar de encarar a vida sempre com um sentido crítico que me torna uma eterna descontente.

Afinal… “Pensar é estar doente dos olhos”

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Noite...


À noite tudo pára, só na minha cabeça tudo gira, tudo grita, tudo dói.
O meu peito contorce-se numa aflição sem tamanho, sem razão ou com tantas razões que nem as consigo enumerar.
Durante o dia a minha agitação integra-se na movimentação diurna, mas à noite dói demais.
O sono vem mas não durmo. Não penso, mas a cabeça continua a girar, a doer.
O barulho surdo enche-me os ouvidos de nada e esse nada é quase insuportável.
Sinto-me cheia, mas vazia. Acordada mas inconsciente.
Um torpor percorre-me o corpo e o espírito, entrego-me ao cansaço e durmo.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Fantasma de mim...


Não tenho escrito porque… bem, em primeiro lugar porque estive ausente algum tempo, e no restante… o tempo não tem chegado para o nada que tenho feito…

O mundo sussurra-me segredos que eu não chego a ouvir.
O meu mundo está tão cheio, tão surdo que não ouço, não vejo as respostas às perguntas que não chego a fazer mas que, ainda assim me perturbam.
Longe vai o tempo em que eu conseguia ouvir o mundo, em que eu me conseguia ouvir.
A minha pressa abafa os gemidos de sofrimento que mal me apercebo mas deixo escapar.
O meu corpo ressente-se do desprezo que lhe reservo e estou, sem o sentir, num qualquer limite.
A dor atinge quase todos os centímetros quadrados do meu corpo e eu ignoro.
Os gritos do meu eu profundo turvam os pensamentos do eu presente e sinto-me confusa.
Passo pelos dias sem interagir…
A sensação de vertigem permanente faz parecer que o mundo gira demasiado depressa e eu não o estou a acompanhar.
Sinto-me cansada…Tão cansada…

sexta-feira, 20 de março de 2009

Devaneios Antigos...


Quando olho para tudo o que fiz, tudo o que fui, nem sempre me reconheço. Nunca fugi do que sou e sempre me mantive fiel aos meus ideais e convicções, esta alteração, esta dificuldade em fazer agora o que sempre fiz perturba-me e faz-me questionar a mim mesma. Sou eu que estou mais fraca e perdida num mundo deturpado e mundano que sempre soube que existia mas do qual sempre me distanciei?
São os golpes que me são deferidos mais fortes e insuportáveis ou sou eu que ao contrário do que sempre pensei sou apenas mais uma? Será que a diferença de que sempre tanto me orgulhei se esbateu fazendo de mim um retrato desfocado e deturpado do que já fui? Ou será que não fui e era esta mais uma das minhas máscaras, mais uma das mentiras que incessantemente conto a mim mesma para tornar as minhas limitações mais suportáveis?
Tanta dúvida enjoa-me, turva-me a vista…
Talvez seja melhor assim porque a minha visão do mundo que nunca foi especialmente colorida está agora infinitamente escura e depressiva, deprimente.
A minha cabeça parece demasiado cheia e toldada, o meu peito apertado numa angústia sem motivo ou com demasiados motivos, o coração bate (ou não bate?) numa dor fulminante e constante que não me deixa pensar… ou será que a dor é porque o coração já não está lá?... Essa era uma resposta pertinente a toda esta confusão porque às vezes acho que sinto demais e que todos estes cavalos se misturam numa amálgama de corridas de apostas em que a velocidade faz perder todos os detalhes, outras acho que estou vazia, morta, sem chão, sem fundo, sem nada… E tudo parece profundamente sem sentido, sem contexto. Estúpido.

segunda-feira, 2 de março de 2009


Há sempre alturas na nossa vida em que o mundo parece desabar.
Nessas alturas respiramos fundo e buscamos cá dentro aquela força que sabemos existir para nos fazer viver sempre mais um dia.
O problema é quando essas alturas se prolongam em dias, em meses e o ar teima em não entrar.E cada vez mais o mundo pesa, os olhos deixam de ver e a cabeça de pensar.
Cada dia mais trabalho, mais problemas, mais peso…
Nessas alturas só queremos que nos deixem respirar um pouco, que nos deixem parar um pouco, que nos deixem dormir um pouco… ou tudo de uma vez.

Obrigado...


Na insónia ela procura reencontrar-se,
O corpo dói-lhe do desgaste sofrido
E a cabeça, ainda confusa,
Só a deixa saber que ganhou a batalha.
As feridas ocultas
Deixarão orgulhosas cicatrizes
Mas ela permanece em pé.
E que prazer é estar de pé…
A dor e o cansaço
provocam uma agradável sensação de vitória
E no calor do reencontro ela dorme.

Obrigado...

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Amar...


Eu não tenho filosofia: tenho sentidos...
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso,
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe por que ama, nem o que é amar...

Amar é a eterna inocência,
E a única inocência é não pensar...


Alberto Caeiro
in O Guardador de Rebanhos